Quarta-Feira, 08 de setembro de 2010




O profissional de Relações Internacionais
O profissional deve manter-se atualizado e fazer análises dos acontecimentos internacionais

O curso é o mais concorrido do vestibular 2007 da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio buscar) e, neste ano, foi a segunda graduação que mais aprovou candidatos no curso de diplomatas do Instituto Rio Branco (IRBr buscar). Dos cem classificados, 15 são formados em relações internacionais. A maioria, 39, é graduada em direito, carreira tradicionalmente escolhida pelos aspirantes à diplomacia.

O primeiro curso do país é o da Universidade de Brasília (UnB buscar), criado em 1974. Só em meados da década de 80 começaram a surgir outros. O boom de graduações, no entanto, ocorreu na década na esteira da abertura do Brasil para o mercado internacional. Atualmente, há cerca de 90 cursos superiores no país. “A proximidade do Brasil com outros países tanto vizinhos como distantes tende a aumentar, o que pode abrir mais o mercado” analisa Antonio Jorge Ramalho da Rocha, do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais e professor da UnB.

Também vem crescendo o número de empresas que negociam com entidades de outros países. A Federação das Indústrias d Estado de São Paulo (Fiesp buscar), por exemplo, criou, há três anos, uma área de negociações internacionais para auxiliar o setor paulista no relacionamento com outros países e empresas estrangeiras.

MERCADO

Um bacharel em relações internacionais é responsável por coletar informações sobre a conjuntura internacional, analisá-las e apresentar pareceres para a instituição onde trabalha, propor decisões sobre como deve ser feito o intercâmbio, além de representar a instituição no exterior. O profissional pode atuar na área política, econômica, de cooperação, de segurança internacional, entre outras.

Atualmente, o setor privado é um dos que mais contrata pessoas formadas em relações internacionais. Muitos profissionais vão também para o setor público para organismos internacionais e alguns seguem a carreira diplomática.

Por ter uma formação bem generalizada, a profissão permite atuar em diversos campos. No entanto, para se colocar no mercado a pessoa deve escolher uma especialização, afirmam especialistas da área.

“Há diversos profissionais formados em outros cursos que desempenham a função de relações internacionais. O mercado é bastante competitivo, é preciso ter um diferencial para disputar bem uma vaga”, avalia o professor Alcides Vaz, vice-coordenador do curso da UnB.

Denise Gregory, diretora executiva do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), cita a necessidade de especialistas em países. “Há uma demanda enorme. No Brasil não se encontra profissionais que saibam muito sobre a China ou a Argentina, por exemplo”. Segundo ela, os cursos de graduação tendem a também procurar um foco. “No Paraná há uma universidade que é mais voltada para a área agrícola”, diz. A graduação da Universidade Federal Fluminense (UFF buscar), no Rio de Janeiro, criou um núcleo para estudar a Argentina.

Não há dados precisos sobre o número de graduados na área no país nem tampouco sobre piso salarial, pois a profissão não é regulamentada por lei, nem conta com uma entidade de classe que a represente. Estima-se que o setor público pague melhor. Uma pessoa que entra no curso de diplomacia do IRBr, por exemplo, recebe cerca de R$ 6 mil.

Fonte: Guia de Carreiras, Portal G1
O Bibliotecário
O curso de Biblioteconomia prepara o profissional para ser capaz de planejar, organizar, administrar, recuperar e disseminar serviços de informações técnicas, científicas, educacionais, culturais e utilitárias a partir de documentação em qualquer suporte (impressa, audiovisual, magnética, digitalizada, etc.) em amplitude local ou em redes. Sua formação humanística enfatiza a consciência das necessidades pessoais ou institucionais de informação. O profissional é um dos principais agentes de transferência de informação como instrumento de transformação social, capaz de aplicar e desenvolver atividades técnicas documentárias e biblioteconômicas, conforme a realidade do meio e a capacidade técnicoeconômica disponível.

O bibliotecário pode atuar nas áreas de:

* planejamento, organização e gerência de unidades de informação, de quaisquer tamanhos, bancos/bases de dados, em rede ou isoladas, para a iniciativa pública ou privada, a partir de acervos documentais de diversos tipos (livros, revistas, jornais, discos, fitas audiovisuais, etc.), utilizando as técnicas adequadas de classificação, catalogação, armazenagem e disseminação;

* planejamento, organização e gerência de atividades culturais, educacionais e de lazer vinculadas a unidades de informações públicas, escolares e universitárias, centros de cultura e associações profissionais.

Para tornar-se apto a desempenhar essas funções, o aluno de Biblioteconomia estuda disciplinas, como Métodos e Técnicas de Pesquisa, História da Cultura, da Imprensa, do Livro e das Bibliotecas, Teoria da Comunicação e da Informação, Catalogação e Classificação Bibliográfica, Produção de Registros do Conhecimento, Informática Aplicada, Planejamento e Administração de Unidades de Informação, Marketing, Língua Portuguesa, Literatura Brasileira, Inglês Instrumental, etc. A Universidade oferece cursos extracurriculares de informática e de línguas (inglês, espanhol, francês, italiano, etc.). Durante o curso, o aluno tem acesso a Laboratórios de Informática e pode cumprir estágio em Sistemas de Bibliotecas como o da UFG ou em outras unidades de informação de escolas, universidades, empresas, etc.
O pedagogo
A Pedagogia define-se como um campo de estudo que investiga a natureza e as finalidades da educação, bem como os meios apropriados de formação humana em uma determinada sociedade. Portanto, o pedagogo é um profissional que atua em várias instâncias da prática educativa, lida com fatos, estruturas, processos, contextos e problemas referentes à educação em seus diferentes níveis e modalidades.

O curso de graduação em Pedagogia, que confere o grau de licenciado, destina-se prioritariamente à formação de profissionais para atuarem na educação infantil e no magistério nos anos iniciais do ensino fundamental. Para isso, os pedagogos tornam-se profissionais com conhecimento profundo da dinâmica da sociedade, da educação, dos sistemas de ensino e da escola como realidades concretas de um contexto histórico-social.

Para compreender os problemas fundamentais do processo educacional e encaminhar-lhes soluções adequadas, os alunos de Pedagogia estudam as seguintes áreas de conhecimento: Sociologia, Filosofia, História, Psicologia, Artes, Didática, Linguagem, Currículo, Políticas da Educação, Gestão e Organização da Educação Básica e Fundamentos e Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Humanas e Ciências Naturais. Além disso, faz parte da formação do pedagogo a realização do estágio supervisionado no ensino fundamental e na educação infantil. Ao final do curso, o acadêmico deverá elaborar e apresentar um trabalho de conclusão com tema a ser definido juntamente com seu orientador. Desta forma, o aluno se inicia nos processos de produção do conhecimento.
O psicólogo
Situada na área de ciências humanas, a psicologia orienta-se para a construção e o aprimoramento do conhecimento científico dos processos psicológicos em todas a sua abrangência e em suas interfaces com o biológico e o social, mediante a compreensão de suas numerosas e variadas abordagens teórico-metodológicas. Orienta-se também para a formação profissional em distintos setores e contextos sociais, visando à promoção da qualidade de vida dos indivíduos, grupos, organizações e comunidades, o que requer procedimento ético e responsável, com discernimento crítico dos processos sociais, culturais e políticos.

O curso de Psicologia oferece duas modalidades de formação: o psicólogo e o professor de Psicologia. No terceiro semestre do curso, o aluno poderá optar por uma modalidade ou cursar as duas. Estas duas formações compreendem um núcleo comum, cuja finalidade é assegurar uma sólida capacitação básica, orientada para a compreensão da Psicologia como campo de conhecimento e de atuação profissional. A estrutura do curso articula-se em torno dos seguintes eixos: fundamentos epistemológicos e históricos; processos psicológicos básicos; fundamentos metodológicos; procedimentos para a investigação científica e a prática profissional; interfaces científicas com os campos afins do conhecimento; e práticas profissionais.

Na modalidade de formação do psicológo, o graduando deverá optar por uma das duas ênfases oferecidas: Psicologia e Processos Clínicos e Psicologia ou Processos Psicossociais. O psicólogo terá possibilidade de atuar em instituições de saúde (hospitais, centros de saúde, ambulatórios, hospitais-dia, clínicas psicológicas, etc), instituições educacionais e, ainda, em intervenções, em qualquer instituição, na perspectiva das condições e relações de trabalho, bem como associações comunitárias, empresas, sindicatos, fundações, juizados da infância e juventude e da família, penitenciárias, clínicas especializadas, núcleos rurais e comunitários etc.

O Professor de Psicologia dedica-se ao ensino de Psicologia em espaços e contextos diversos, ajustando as atividades de ensino à diversidades institucionais em que ocorrem as práticas educativas, às finalidades da educação e à população-alvo. A Formação do Professor de Psicologia deve propiciar o desenvolvimento das "competências e habilidades" constantes no núcleo comum do Curso de Psicologia, e o domínio dos conhecimentos articulados em torno de eixos estruturantes, considerando as diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores em nível superior. Deverá ao final do curso ter condições de analisar o sistema educacional brasileiro, nos seus diferentes níveis e modalidades, identificando seus desafios contemporâneos.
Trace seu futuro
Chegou o momento da escolha profissional. E agora?

"A Bahia já me deu régua e compasso", cantava o nosso ministro da Cultura, Gilberto Gil, na música "Aquele Abraço", nos idos de 1969. Porém, nem todo estudante que se depara com o momento da escolha profissional tem tanta segurança assim. Para ajudar nessa complicada tarefa de traçar o seu próprio futuro, principalmente quando se tem 17, 18 anos, existem os serviços de orientação vocacional, muitos deles gratuitos. Mas a responsabilidade da escolha é sempre individual e solitária.

Até mesmo depois de passar no vestibular, a dúvida pode persistir. Isso é mais comum do que se pensa. A médica pediatra e pneumologista infantil Heloísa Murr Sabino sentiu na pele a dor da dúvida, no começo do curso de Medicina, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Criada no interior de São Paulo, na cidade de São João da Boa Vista, ela prestou vestibular aos 17 anos, logo depois de concluir o Ensino Médio. Nem mesmo seu pai, médico também, acreditava que a filha pudesse entrar em um curso tão concorrido, nessa primeira tentativa e, por via das dúvidas, a matriculara em um cursinho. Publicada a lista, veio a surpresa: Heloísa fora aprovada. Ela acreditava que seu perfil tinha muito mais a ver com a área de Humanas, mas mesmo assim resolveu começar o curso. Iniciadas as aulas, a menina, que passava mal ao ver sangue, se desesperou. Tomou o ônibus rumo à sua cidade natal. "Chorei durante toda a viagem", recorda ela. Mas ao chegar na rodoviária, ao invés de ser acolhida no aconchego do lar, seu pai lhe deu um lanche e a embarcou de volta para São Paulo. "Você não vai desistir", ordenou. Hoje, ela é uma médica realizada, que adora o que faz. "Nunca me vi fazendo cirurgia, por exemplo. Eu sempre soube que gostava mesmo era de trabalhar com crianças", afirma.

Essa história é exemplar. Podemos tirar dela várias lições.

Primeira: cada profissão tem várias áreas de atuação, é preciso ampliar a visão na hora de escolher a carreira.

Segunda: uma boa idéia é procurar se informar sobre as matérias que você vai estudar no curso que pretende fazer. O jovem que deixa para tomar contato com as matérias que tem no curso só depois que entra corre o risco de se decepcionar.

Terceira: a sugestão unânime, entre todos os entrevistados para essa reportagem do Universia, é uma só e coincide com a famosa frase "conhece-te a ti mesmo", lema de Sócrates, filósofo da Antigüidade. é preciso prestar atenção aos seus interesses, às suas motivações e à sua personalidade. O que você quer da sua vida? Quais são os seus interesses? Qual é o seu potencial? As respostas a essas três perguntas fundamentais podem definir a sua escolha. E elas só podem ser dadas por você.

Como se não bastasse toda essa confusão, não há uma escolha entre dois ou três caminhos, apenas. No manual da Fuvest, por exemplo, existem mais de cem opções de cursos. Além disso, conforme a psicóloga Elaine Schevz, especializada em orientação vocacional, muitas profissões novas ainda serão construídas: "o mundo está se revendo, estamos revendo nosso modo de vida. Muitas profissões ainda serão inventadas. O jovem tem que participar da construção de um mundo melhor, tem que inovar, trazer idéias novas, seus sonhos são importantes, devem ser levados em conta, ele pode propor um caminho novo, uma idéia que vá transformar as coisas. Inovar e criar é muito importante", provoca ela.

A responsabilidade é grande. Mas "nem todos buscam orientação", diz a professora de orientação vocacional da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), Sônia Regina Gattás, vice-diretora da Clínica Psicológica Ana Maria Poppovic da Faculdade de Psicologia PUC-SP. "O ideal seria que todos procurassem um bom serviço de orientação vocacional", analisa.

Para ela, o jovem deve buscar muita informação, mas sempre com um objetivo predeterminado. Sônia acredita que o serviço de orientação vocacional pode ajudar o vestibulando a pensar no que ele quer para que a carreira escolhida seja capaz de preencher as suas expectativas. "Nós ajudamos a pensar, a encontrar esses objetivos, a traçar seu projeto de futuro, de vida, a definir quais são as questões mais importantes para ele".

O programa de orientação vocacional da clínica de Psicologia da PUC-SP compreende uma série de dez entrevistas, por psicólogos formados, alunos do curso de aprimoramento clínico institucional. O teste vocacional pode ser usado como um instrumento nesse processo, para ajudar a definir algumas das escolhas. "Existem testes que podem ajudar, eventualmente, mas eles não se aplicam a todo mundo", explica a psicóloga. Nem mesmo entre os psicólogos a adoção do teste é uma regra. Há profissionais que usam e outros que preferem não se valer desse instrumento. Qualquer que seja o método usado, o fato é que os jovens que buscam um serviço de orientação vocacional chegam muito "perdidos"...

E funciona?

Essa "fragilidade" faz com que a pessoa seja facilmente iludida com os testes vocacionais on-line - que são encontrados aos montes pela Internet. Por mais que o Universia quisesse também encontrar um teste fácil de ser respondido e que desse uma resposta para ajudá-lo nesse dilema, todos os nossos entrevistados afirmaram que o teste vocacional é apenas uma ferramenta que contribui para o psicólogo desvendar a personalidade do jovem. Desconectados de um programa mais amplo, eles não só não servem para nada como podem atrapalhar.

Para a professora Flávia Henriques, psicóloga, pedagoga e coordenadora do curso de Psicologia da Unisantos (Universidade Católica de Santos), a orientação vocacional não é necessária, mas é importante. "O jovem deve procurar esse serviço na sua escola ou fora dela. Muitas escolas têm psicólogos e fazem esse trabalho desde o primeiro ano do Ensino Médio. Na escola que não tem psicólogo, os próprios professores devem orientar os alunos", aponta. A Unisantos oferece esse programa de orientação gratuitamente todos os anos, para alunos do Ensino Médio de Santos e região. Os alunos são atendidos pelos estagiários do quarto ano, com supervisão dos professores. "No primeiro semestre, a orientação vocacional acontece em seis sábados seguidos, do final de abril até junho. São encontros de três horas de duração", explica a professora.

As atividades programadas incluem informações sobre as profissões, auto-conhecimento, aprender a diferenciar as influências internas e as externas, além da aplicação de alguns testes para verificar os interesses dos jovens. Nesse processo todo, eles vão se conhecendo. "Atendemos de 130 a 150 jovens", contabiliza a professora. No final, eles recebem um laudo por escrito, com indicações que os levam a fazer a opção correta. Se tiverem alguma dificuldade na compreensão do laudo, existe um plantão de dúvidas para ajudá-los. "Além disso, temos o Semov, a Semana Intensiva de Orientação Vocacional, que coincide com a Semana de Psicologa, no final de agosto, durante cinco noites", completa. Justamente por ser uma escolha que se faz tão cedo na vida, o processo de orientação vocacional também deve começar o quanto antes, até mesmo no Ensino Fundamental, acredita a professora Flávia.

Os modelos internos seriam aqueles em que o jovem quer imitar os seus "heróis", não no sentido de super-heróis, mas de pessoas com quem ele se identifica. Os modelos externos podem incluir as sugestões da família, dos amigos, professores. Muitas vezes, são tantas idéias conflitantes que eles não sabem distinguir seu real desejo. "Isso é trabalhado durante todas essas seções, para que eles possam decidir por si próprios", garante a professora.

"Nem sempre eles conseguem ter uma decisão clara, ao término da última sessão, mas já têm mais condições de decidir, de saber que carreira combina melhor com o tipo de personalidade que demonstraram", afirma Flávia, que também é contra os testes vocacionais aplicados sem critério. "Os testes sérios não podem ser divulgados", acrescenta ela. "Os resultados desses testes online não têm confiabilidade nenhuma", critica.

Erros mais comuns

Para a psicóloga Elaine Schevz, formada pela USP (Universidade de São Paulo), alguns erros podem ser cometidos nessa fase:

- Escolher a carreira em função dos seus pais;
- Deixar para conhecer a universidade escolhida e as matérias do curso apenas depois de passar no vestibular;
- Não se informar sobre como é a rotina do profissional da área.

Para evitar situações como essas, ela desenvolve o projeto De Dentro Pra Fora. São dez workshops, em que a psicóloga trabalha quatro dimensões. A primeira, a "de dentro", envolve o auto-conhecimento, contato com os próprios talentos, sonhos e desejos. A "de fora" é quando os participantes aprendem sobre os diversos aspectos da atuação profissional, escolhas individuais, conceitos e preconceitos. Na dimensão "de fora para dentro", se dá a apropriação da cidade, identificando os lugares de interesse, tomando contato direto com a realidade prática do trabalho. Finalmente, a dimensão "de dentro para fora", que é o ponto de chegada. "O trabalho é bem lúdico, interativo, com dinâmicas de grupo, atividades artísticas e jogos", descreve. "A resposta surgirá do contato com você mesmo, de um trabalho de introspecção, ver o que desperta o seu interesse, sua motivação, pensando no seu interesse para desenvolver um trabalho por muito tempo". Boa sorte!

Fonte: Por Silvia Angerami, do site Universia

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