Quarta-Feira, 08 de setembro de 2010




O profissional de Letras
Há dois tipos de formação: a de bacharel e a de licenciado.
Gosto pela leitura é fundamental em ambas.

Comunicar-se por meio de um idioma, às vezes, chega a parecer natural. Mas todo mundo, um dia, aprendeu a falar e, posteriormente, a escrever com as regras cultas da língua. É bem verdade que algumas das normas parecem obscuras e até inacessíveis. Nessa hora, um profissional está aí para desvendar os segredos das palavras e dos textos. Esta edição do Guia de Carreiras do G1 é sobre a formação e o trabalho do bacharel e do licenciado em letras.

“O curso de letras é para quem, em primeiro lugar, gosta de trabalhar com texto. E texto não é só o que é escrito. Quando alguém fala alguma coisa, também está compondo”, explica o diretor da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Jacyntho José Lins Brandão.



De acordo com o diretor, o teatro é uma outra forma de expressão em texto, assim como o cinema e os novos recursos de mídia. Daí o leque amplo de atuações para o profissional de letras.

No entanto, dentre tantas áreas possíveis, uma delas é a mais procurada: “Sem dúvida, a maior demanda no Brasil é para a docência. Cerca de 90% dos alunos querem licenciatura e 10% se dirigem para o bacharelado”, diz Brandão.

Licenciatura é a modalidade do nível superior que habilita o graduado a dar aulas no ensino médio e fundamental. Já o bacharelado serve para quem quer seguir a carreira de professor universitário, de pesquisador ou de tradutor, por exemplo.

Pelo país, segundo dados de 2005 do Ministério da Educação (MEC), existem 460 cursos para a formação de professores de letras. E se você pensa que é muito, engana-se. Embora existam tantas faculdades, faltam professores. Além destes cursos, em 2005, havia mais cerca de 140 abordando a tradução, o bacharelado e a lingüística.

“O Brasil ainda carece de professores. Fora dos grandes centros, percebe-se a necessidade de profissionais e o magistério é entrada no mercado. Alguns voltam, depois, para a academia”, afirma o coordenador do curso de letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Juvenal Zanchetta Jr.

A formação

Por uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE), o tempo mínimo para a conclusão do curso de letras tanto para bacharelado como para licenciatura é de três anos. E durante esse período a formação pode variar bastante de instituição para instituição.

Há faculdades que oferecem bacharelado ou licenciatura em único idioma, outras que oferecem dupla habilitação (português e inglês, por exemplo), e há até outras formações, como em lingüística ou em estudos literários. Por isso, na hora de optar pelo curso, o candidato deve se informar se a faculdade oferece o que ele procura. Por exemplo, se o desejo for estudar russo, é preciso checar se existe essa opção.

De maneira geral, os cursos das universidades públicas federais e estaduais têm um desenho semelhante, segundo explica Zanchetta Jr.. “Teoria literária, literatura brasileira, crítica literária, lingüística na vertente mais contemporânea e educação são as áreas básicas de todo o curso”, diz.

Perfil

A característica fundamental para quem pretende seguir o curso de letras é o gosto pela leitura, segundo os professores ouvidos pelo G1. “Enfrentar o desafio de ler literatura é uma das características que tende a favorecer muito o aluno”, diz o coordenador do curso da Unesp. O curso tem bastante teoria e exige longas horas numa biblioteca para formar um olhar crítico.

E quem pretende lecionar deve ter muita vontade de enfrentar uma sala de aula, conhecer os estudantes e continuar sua formação sempre, para se adaptar às mudanças dos perfis dos estudantes, das práticas de ensino e das mudanças do idioma.

Fonte: Portal G1
Postado em: 04/05/08
O Jornalista
Jornalista é um narrador de histórias reais
De acordo com os especialistas, os jornalistas recém-formados se deparam com salários baixos na maioria dos estados, mas a carreira possui áreas em expansão, como a assessoria de imprensa e o jornalismo on-line.


Dados do Ministério da Educação (MEC) apontam que o Brasil possui 334 cursos superiores de jornalismo, 93 deles no Estado de São Paulo. Em todos os estados há pelo menos uma faculdade que ofereça o curso. Além disso, segundo a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), há cerca de 60 mil profissionais oficialmente graduados no país e cerca de 13 mil que atuam como jornalistas, mas não possuem o diploma.

"Eu diria que o jornalista é um narrador de histórias reais. E para que se conte uma boa história é preciso ter feito um bom curso e estar tecnicamente preparado, tanto do ponto de vista ético quanto do ponto de vista humano", diz a professora Líbia Araújo Barbosa, coordenadora do curso de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas).

De acordo com Líbia, no primeiro ano, o aluno do curso de jornalismo terá contato com disciplinas de formação geral (como sociologia, antropologia, economia, ética, história e filosofia) e logo no segundo ano começam as matérias de formação específica (como telejornalismo, fotografia, imagem e som, técnicas de comunicação).

Como as novas tecnologias mudam a cada dia, os cursos vão adaptando a grade de disciplinas de acordo com o que há de mais novo. "Não dá para dizer que um curso de jornalismo hoje é o mesmo de dez anos atrás. As grades [curriculares] vão se adequando de acordo com as mudanças. As aulas de fotografia, por exemplo, hoje são com câmeras digitais, embora o aluno ainda tenha treinamento com a câmera manual", disse o professor Carlos Roberto da Costa, coordenador do curso de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo, o mais antigo do país.

Aulas práticas

Uma das características dos cursos de jornalismo são as aulas práticas, que geralmente começam no segundo ano da faculdade. Nessas aulas, os estudantes têm contato com as diversas áreas de atuação.

Na PUC-Minas, por exemplo, há 35 anos os alunos escrevem um jornal laboratório, com orientação de professores e editores. Em formato standard (tamanho tradicional de jornal), tem 16 páginas, com capa e contra-capa coloridas, miolo em preto-e-branco e tiragem de 12 mil exemplares. "Não é um jornal institucional. Ele traz notícias voltadas para a comunidade e é distribuído na região. É um jornal que nunca deixou de circular em 35 anos, é um grande laboratório para os alunos", disse a professora Líbia.

A mesma coisa acontece na Cásper Líbero. Lá, os alunos têm a chance de escrever/editar reportagens para a revista semestral "Esquinas", feita sob a coordenação dos professores. Além disso, a faculdade possui uma rádio universitária, que transmite boletins de trânsito e notícias da cidade três vezes por dia. Também é possível produzir reportagens para um programa de entrevistas que é transmitido pela TV Gazeta.

"São todas oportunidades extras para que o aluno aprenda um pouco de tudo e tenha contato com as diversas áreas de atuação do jornalismo", disse o professor Costa.

Fonte: Portal G1
O Matemático
Profissionais são procurados tanto na sala de aula quanto no mercado.
Formação forte e dedicação são pré-requisitos para o sucesso.

O cenário profissional dos matemáticos é bastante promissor. Tanto na atuação tradicional em sala de aula quanto no estudo de riscos financeiros ou de processos industriais, há a necessidade de matemáticos. Mas, para isso, boa formação é fundamental.

“A matemática tem certa semelhança com medicina, pois o médico, mesmo depois de seis anos de estudo universitário, ao concluir e receber seu diploma, ainda precisa realizar a residência”, explica o professor João Lucas Barbosa, presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). “No caso do matemático, sua formação só se completa com o doutorado.”

E a trajetória até a pós-graduação é bastante árida. Já nos primeiros anos da faculdade, o estudante enfrenta diversas disciplinas de cálculo, álgebra, geometria, além de disciplinas de probabilidade e estatística e computação. Mas, diferentemente do que se imagina, não é necessário inteligência fora do comum para fazer o curso.

“Para ser bem sucedido na matemática é preciso ser medianamente inteligente, gostar de matemática e ser trabalhador, que é a condição mais importante”, afirma Barbosa.

“Amor à matemática e dom não são suficientes. Muito aluno pode não vingar, porque não deu o sangue. Estudar matemática exige demais. É necessário um tempo de aprendizado solitário e só depois tem a discussão com os colegas”, concorda o diretor do Instituto de Matemática da Universidade de São Paulo (IME – USP), Paulo Domingos Cordaro.

Tipos de cursos

Existem alguns tipos de graduações que levam “matemática” no nome. O Conselho Nacional de Educação recomenda que o tempo mínimo para conclusão seja de 3 a 4 anos. A que mais se diferencia é a licenciatura em matemática, voltada para formar professores para o ensino fundamental e médio. Para cursá-la, além de gostar de matemática, o estudante deve ter vontade de lecionar.

Quem optar pela docência no ensino fundamental e médio não deve enfrentar desemprego, já que existe uma demanda muito grande por professores. Mas os salários não são tão atrativos e variam muito conforme a região e o tipo de escola (particular ou pública). Tramita no Congresso um projeto de lei para criar um piso salarial para o professor que prevê remuneração mínima de R$ 950 para 40 horas semanais.

Para a formação de professores de matemática, existem 592 cursos no país de acordo com dados do Ministério da Educação (MEC) referentes a 2006.

Bacharelados

Existem também 79 bacharelados de matemática no país, que pretendem formar pesquisadores e profissionais. Entre estes cursos, há alguns tipos: como o de matemática aplicada, o de matemática computacional (relacionada à informática) ou o de matemática industrial.

No IME, na USP, por exemplo, há o curso de matemática pura, o de matemática aplicada e o de matemática aplicada e computacional. De acordo com Cordaro, o terceiro curso é o que libera mais graduados para a indústria e iniciativa privada. Já a matemática pura é o mais teórico e a aplicada, um meio termo.

Qual curso escolher

Se você gosta de exatas e não tem certeza de qual curso fazer na faculdade, pense nas suas aptidões. Se você gosta de pensar abstratamente, sua vocação pode estar relacionada com a matemática. Gosta você gosta de experimentos e aplicação, pode procurar a física. Se gosta de computação, pode procurar a matemática computacional.
Se você pelo menos tem a noção de que quer exatas, pode se beneficiar com o que fazem diversas instituições. Elas fornecem um ciclo básico, comum para todas as variações de cursos. Informe-se na instituição de seu interesse.

Fonte: Portal G1
O Arquiteto
Projetar, supervisionar e executar obras de arquitetura/edificações; trabalhar com reformas e restaurações; além de atuar no controle e planejamento do espaço como urbanista, paisagista e designer de interiores. Essas são algumas das funções do profissional formado em arquitetura e urbanismo.

A formação do arquiteto e urbanista é muito ampla e, segundo Leonardo Castriota, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), durante muito tempo o profissional era identificado como aquele que atuava no projeto, na construção ou em uma reforma. "Mas o arquiteto e urbanista é muito mais que isso. Uma das funções paralelas é trabalhar com o planejamento de cidades", disse.

O professor destacou, no entanto, que as atuações de um arquiteto e de um urbanista são completamente diferentes mas, mesmo assim, a graduação é unificada. Não existe um curso superior apenas de arquitetura ou somente de urbanismo. "Em alguns países a formação é distinta. O arquiteto tem uma base mais técnica de engenharia e o urbanista tem uma formação direcionada para o planejamento", afirmou Castriota.

Mais escolas, menos empregos

Segundo Gilberto Belleza, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), um dos maiores problemas enfrentados pelos profissionais da área é o aumento no número de escolas de arquitetura no país e, conseqüentemente, as dificuldades de inserção no mercado de trabalho.

"Atualmente, com o grande crescimento do número de escolas de arquitetura e conseqüentemente do número de arquitetos, o mercado tornou-se complicado. O que percebemos é uma escassa quantidade de trabalho, a falta de profissionais capacitados e com boa formação, e, principalmente, um achatamento nos honorários profissionais pela concorrência de preços num mercado livre de atuação", avalia Belleza.

A mesma opinião é compartilhada pela professora Maria Inês Sugai, ex-coordenadora do curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que, no entanto, tem uma visão um pouco mais otimista.

"Há quem diga que o mercado de trabalho não tem mais como absorver os cerca de seis mil jovens que se formam anualmente no Brasil. Mas, apesar dessas avaliações pouco otimistas, prevalece o entendimento de que há boas perspectivas, principalmente nas centenas de cidades de pequeno e até médio porte que têm dificuldades para atender à recente legislação que torna obrigatória a elaboração de Planos Diretores nas cidades acima de 20 mil habitantes", exemplificou.

Segundo Maria Inês, no início dos anos 90 o país tinha cerca de 70 cursos de arquitetura e urbanismo. Hoje, esse número saltou para 182.

Na edição 2005 do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) foram avaliados 166 cursos de todo o país. Desses, 63 (38%) receberam conceito 3 e sete (4,2%) obtiveram 5, a nota mais alta. Entre as graduações de conceito máximo, seis são de universidades federais e uma de instituição particular. Do total de cursos, 25,3% ficaram sem conceito pois não apresentavam alunos ingressantes ou concluintes.

- Profissão regulamentada

Assim que termina a faculdade, todo arquiteto precisa tirar um registro profissional no CREA (Conselho Regional de Engenheiros e Arquitetos) de sua região. Há mais de 40 anos, o órgão disciplina a carreira e as formas de atuação do profissional. Segundo o arquiteto Ângelo Arruda, presidente da Federação Nacional de Arquitetos e Urbanistas (FNA), quem não tem registro está exercendo a profissão de maneira ilegal e, portanto, cometendo um crime.

Fonte: Portal G1
O Engenheiro de produção
Um curso de formação ampla que alia as áreas de engenharia e administração. Essa é a definição mais comum dada por professores e profissionais da área sobre a engenharia de produção.

Diferentemente de outras engenharias, a de produção mescla conhecimentos de exatas como cálculo e ciência de materiais, por exemplo, e humanas, como administração, finanças, meio ambiente, entre outros. “O aluno tem que ser um híbrido de tecnologia, economia e capacidade gerencial”, sintetiza o professor Regis da Rocha Motta, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ buscar), um dos primeiros cursos da área no país.

Um engenheiro de produção projeta e gerencia sistemas que envolvam pessoas, materiais, equipamentos e o meio ambiente. Cabe a ele planejar e coordenar as atividades básicas de uma empresa como compras, produção e distribuição de produtos, além de promover a melhoria da eficiência.

A professora Danielle Dias, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, define o profissional como um gestor que usa seus conhecimentos de engenharia para tomar decisões. “Somos diferentes dos administradores. Eles fazem planos de negócio, lidam com marketing. Nós temos condições de atuar em problemas ligados à produção como redução de desperdício, por exemplo”, cita ela. A graduação da UFV ficou entre as melhores na avaliação do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade).

Mercado

Por ter uma formação diversificada, o profissional pode atuar em diversas áreas desde de indústrias, setor ambiental, financeiras, segurança do trabalho e até mesmo a área governamental. “Como é uma graduação generalista, há mais possibilidades no mercado de trabalho. É uma das engenharias que mais emprega”, afirma Osvaldo Quelhas, presidente da Associação Brasileira de Engenharia de Produção (Abepro) e professor do curso da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Segundo especialistas da área, para se dar bem na profissão, a pessoa deve ter um bom raciocínio lógico, ser ágil, dinâmica, flexível, gostar de trabalhar em equipe, se relacionar bem com vários setores da empresa e saber analisar situações e tomar decisões.

A Abepro estima cerca de 7.000 profissionais no Brasil. Não há dados sobre faixa salarial específica do engenheiro de produção. Segundo o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), a remuneração mínima dos engenheiros em geral é de seis salários mínimos (R$2.100, atualmente) para seis horas de trabalho.

Curso

A maioria dos cursos do país dura cinco anos. Nos primeiros períodos, os estudantes têm aulas de disciplinas básicas como matemática, física, química, português e economia. No ciclo profissional, há aulas de matérias de engenharia e de administração como logística, sistemas de produção, engenharia e segurança do trabalho, entre outras.

Algumas faculdades dão ênfase à prática durante toda a formação como é o caso da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior de São Paulo, onde alunos do terceiro ano podem participar de projetos de consultoria desenvolvidos por professores para empresas de diversas áreas. Há ainda a possibilidade de fazer estágios de férias.

No fim da graduação, o estudante tem que fazer um estágio obrigatório e também um trabalho de conclusão de curso (TCC), segundo as normas do Ministério da Educação (MEC).

Fonte: Portal G1

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